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	<title>Arquivos Artigos - PT - Bahia</title>
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	<title>Arquivos Artigos - PT - Bahia</title>
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		<title>O PT e a disputa de narrativas sobre o empreendedorismo e a inovação</title>
		<link>https://www.ptbahia.org.br/artigos/o-pt-e-a-disputa-de-narrativas-sobre-o-empreendedorismo-e-a-inovacao/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[guilherme]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 05 May 2026 17:51:18 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Artigos]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>*Sócrates Santana, Handerson Leite e Edson Valadares  Há números que se apresentam como certezas, como [&#8230;]</p>
<p>O post <a href="https://www.ptbahia.org.br/artigos/o-pt-e-a-disputa-de-narrativas-sobre-o-empreendedorismo-e-a-inovacao/">O PT e a disputa de narrativas sobre o empreendedorismo e a inovação</a> apareceu primeiro em <a href="https://www.ptbahia.org.br">PT - Bahia</a>.</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p><strong>*Sócrates Santana, Handerson Leite e Edson Valadares</strong><strong> </strong></p>
<p>Há números que se apresentam como certezas, como se bastassem a si mesmos, como se, ao serem pronunciados, resolvessem o mundo, o PIB cresce, o desemprego cai, a massa salarial se move, e no entanto, como alguém já disse com a lucidez de quem não se deixa enganar, ninguém come PIB , como diria Aluã Carmo, e talvez por isso o povo, esse grande intérprete silencioso da realidade, continue a desconfiar dos números que não cabem na vida.</p>
<p>Mas há outros números, mais discretos, menos vistosos, que não gritam nas manchetes, e que, ainda assim, dizem mais sobre o que está acontecendo, ou melhor, sobre aquilo que começa a acontecer sem pedir licença.</p>
<p>Falemos, então, das empresas que nascem.</p>
<p><strong>Do nascimento das coisas pequenas</strong></p>
<p>O que é uma empresa nascente senão uma tentativa, uma aposta, uma coragem que ainda não sabe se dará certo, mas que insiste em existir, e o que é o <strong>Inova Simples</strong> senão o gesto de abrir a porta para essas tentativas, retirando os obstáculos que antes impediam que uma ideia atravessasse o limiar do possível.</p>
<p>Na Bahia há agora <strong>420 empresas ativas no Inova Simples</strong>, e alguém poderá dizer, são apenas números, mas não são, são pessoas, são projetos, são expectativas, são pequenas rupturas no tecido antigo da economia.</p>
<p><strong>Daquilo que cresce — e cresce mais que os outros</strong></p>
<p>Convém, no entanto, olhar com mais atenção, porque nem todos crescem da mesma forma, nem no mesmo ritmo, nem com a mesma persistência.</p>
<p>A Bahia, que em março de 2025 contava <strong>248 empresas</strong>, chega a abril de 2026 com <strong>420</strong>, e este salto, que é de <strong>172 empresas</strong>, representa um crescimento de <strong>69,35%</strong>, número que, se fosse uma árvore, já daria sombra.</p>
<p>E não se trata de um espasmo, mas de um movimento contínuo, pois apenas no último mês o crescimento foi de <strong>+21 empresas</strong>, superior ao dos demais estados do Nordeste, que avançam, sim, mas em ritmos mais modestos.</p>
<p>E é dessa diferença que se deve falar.</p>
<p>Porque liderar não é apenas estar à frente, é manter-se à frente enquanto os outros também caminham.</p>
<p>E a Bahia, hoje, não apenas caminha, ela puxa.</p>
<p><strong>Da locomotiva que arrasta o conjunto</strong></p>
<p>Houve um tempo em que se dizia, quase como metáfora, que a Bahia poderia ser a locomotiva do Nordeste, ideia defendida pelo senador Jaques Wagner, não como figura de linguagem, mas como direção estratégica.</p>
<p>Hoje, ao observar os dados, talvez possamos dizer que a metáfora ganha materialidade.</p>
<p>Porque uma locomotiva não é apenas aquela que avança, mas aquela que <strong>define o ritmo e conduz o movimento coletivo</strong>.</p>
<p>E essa condução encontra continuidade na ação firme do governador Jerônimo Rodrigues, que não apenas preserva essa direção, mas a aprofunda, transformando estratégia em política de Estado.</p>
<p><strong>Da ordem das coisas no Nordeste</strong></p>
<p>Se alguém desejar organizar o presente, encontrará o Nordeste disposto assim:</p>
<p>Primeiro, a Bahia, com <strong>420 empresas</strong><br />
Depois, Pernambuco, com <strong>385</strong><br />
Depois, o Piauí, com <strong>299</strong><br />
Seguem Ceará (254), Maranhão (250),  Rio Grande do Norte (222), Paraíba (164), Alagoas (145) e Sergipe (124)</p>
<p>Mas o que importa não é apenas a ordem, é a distância.</p>
<p>A Bahia lidera não apenas por posição, mas por <strong>diferença acumulada, crescimento consistente e maior base ativa</strong>, tornando-se o principal vetor de expansão do Inova Simples na região.</p>
<p><strong>Daquilo que substitui o que já não serve</strong></p>
<p>Há muito tempo, Schumpeter escreveu que o mundo avança destruindo aquilo que ele próprio construiu, e chamou isso de destruição criativa.</p>
<p>Hoje sabemos que esse movimento continua, e que são as empresas novas — frágeis, incertas, experimentais — que introduzem aquilo que substitui o que já não responde ao tempo.</p>
<p>O crescimento do Inova Simples não é apenas expansão.</p>
<p>É <strong>renovação econômica em curso</strong>.</p>
<p><strong>Da capital que já não concentra tudo</strong></p>
<p>E contudo, há deslocamentos.</p>
<p>Enquanto a Bahia cresce, Salvador já não concentra com a mesma força o protagonismo do ecossistema de inovação, e outras capitais nordestinas avançam, Recife, Fortaleza, Teresina, Natal, segundo dados do Observatório Sebrae de Startups.</p>
<p>Mas talvez isso não seja perda.</p>
<p>Talvez seja efeito.</p>
<p>Porque aquilo que antes se concentrava, agora se espalha.</p>
<p>A política de interiorização da inovação, iniciada ainda no governo Jaques Wagner, começa a produzir resultados: a inovação deixa de ser centralizada e passa a ser <strong>territorializada</strong>.</p>
<p><strong>De como o crescimento deixa de ser acaso</strong></p>
<p>Nada disso acontece sozinho.</p>
<p>Há método, há acompanhamento, há decisão.</p>
<p>O crescimento do Inova Simples na Bahia é fruto de um <strong>monitoramento minucioso e de uma ação intencional</strong>, conduzida pela Diretoria de Inovação e Competitividade da Secretaria de Ciência, Tecnologia e Inovação.</p>
<p>E quem escreve estas linhas não o faz como observador distante, mas como parte desse processo, que também constroem, no cotidiano da política pública, aquilo que agora se revela nos números.</p>
<p><strong>Da disputa de narrativas sobre o empreendedorismo</strong></p>
<p>Há também uma disputa, menos técnica e mais simbólica, sobre o significado do empreendedorismo.</p>
<p>É comum que setores da extrema direita tentem dissociar o empreendedorismo das políticas públicas, como se inovar fosse apenas um ato individual, isolado de qualquer ambiente institucional.</p>
<p>Mas a realidade mostra outra coisa.</p>
<p>Entre <strong>2023 e 2025</strong>, o Brasil destinou <strong>R$ 50 bilhões</strong> para Ciência, Tecnologia e Inovação, com destaque para a reativação do <strong>FNDCT</strong>.</p>
<p>Além disso, financiamentos via <strong>BNDES e FINEP superaram R$ 29 bilhões em 2024</strong>, alinhados à estratégia da Nova Indústria Brasil.</p>
<p>No período anterior, entre <strong>2019 e 2022</strong>, o investimento acumulado foi de cerca de <strong>R$ 26,3 bilhões</strong>, indicando um patamar inferior registrado pelo período governado pela extrema direita no país.</p>
<p>O que esses números revelam é simples:</p>
<p><strong>inovação precisa de ambiente, de financiamento e de decisão política.</strong></p>
<p><strong>De como o Estado decide participar do futuro</strong></p>
<p>Na Bahia, essa decisão se materializa na atuação da FINEP e da FAPESB.</p>
<p>O Programa Centelha III é exemplo disso:</p>
<ul>
<li><strong>981 ideias submetidas</strong></li>
<li><strong>229% de crescimento</strong> em relação a última edição</li>
<li><strong>2.764 empreendedores</strong> envolvidos em cada proposta</li>
<li><strong>114 municípios envolvidos</strong></li>
</ul>
<p>É desse conjunto que surgem as empresas que alimentam o Inova Simples.</p>
<p><strong>Daquilo que se conclui sem encerrar</strong></p>
<p>A Bahia cresce, e cresce mais que os outros, e essa diferença não é acaso.</p>
<p>É construção.</p>
<p>E ao crescer assim, talvez esteja cumprindo aquilo que antes era metáfora:</p>
<p>não apenas avançar,<br />
mas conduzir,<br />
não apenas liderar,<br />
mas transformar.</p>
<p>E como toda locomotiva, não segue sozinha.</p>
<p>Ela arrasta consigo o futuro.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><strong>*Sócrates Santana é Diretor de Inovação e Competitividade da Secretaria de Ciência, Tecnologia e Inovação da Bahia.</strong></p>
<p><strong>**Handerson Leite é Diretor Geral da Fundação de Amparo à Pesquisa da Bahia.</strong></p>
<p><strong>***Edson Valadares é Assessor de Planejamento e Gestão da Secretaria de Ciência, Tecnologia e Inovação da Bahia</strong></p>
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			</item>
		<item>
		<title>Três hipóteses sobre o desempenho do governo na economia, qual o problema e o que fazer</title>
		<link>https://www.ptbahia.org.br/artigos/tres-hipoteses-sobre-o-desempenho-do-governo-na-economia-qual-o-problema-e-o-que-fazer/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[guilherme]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 23 Apr 2026 01:39:33 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Artigos]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Por Aluã Carmo AS TRÊS HIPÓTESES Há hoje, no PT, três visões principais sobre os [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>Por Aluã Carmo</p>
<p><strong>AS TRÊS HIPÓTESES</strong></p>
<p>Há hoje, no PT, três visões principais sobre os resultados da última pesquisa Quaest que avaliou as percepções do nosso povo sobre economia.</p>
<p>A primeira hipótese considera que, tendo em vista os dados como crescimento do PIB, desemprego e massa salarial, Lula sairá vitorioso da eleição. Essa visão já foi apresentada por figuras com papel central no Governo Lula 3 e é uma leitura simplificada da realidade. Segundo essa visão, a partir de um conjunto de dados, a eleição está ganha. O povo perceberá que sua vida melhorou, que os salários aumentaram e que a inflação diminuiu. O povo olhará para esses números e votará em Lula. Simples assim.</p>
<p>Em contraposição a essa visão, surge uma segunda hipótese: a economia vai bem, basta que olhemos esses indicadores. O problema seria que a extrema direita teria um poder de moldar a realidade a partir de uma disputa desigual em redes sociais e meios de comunicação. Segundo essa visão, a Classe Trabalhadora teria a sua consciência capturada pelas<em> fake news</em> e pela grande mídia e estaria moldando sua percepção da realidade econômica, sobre a inflação e o desemprego, etc. Caberia à esquerda, então, uma disputa de comunicação para que o povo trabalhador perceba que a vida melhorou. Segundo essa segunda hipótese, o principal problema não é a realidade do povo trabalhador, mas a percepção do povo sobre sua própria realidade.</p>
<p>Numa outra variante, mais radical, dessa segunda hipótese, a Classe Trabalhadora estaria moldando a própria realidade a partir dessa consciência capturada. A inflação de alimentos existiria por uma profecia autocumprida da inflação, por exemplo. E o preço dos combustíveis seria também fruto dessa grande pressão no campo das ideias.</p>
<p>Abro um parêntese para afirmar que não nego a força da comunicação, da mídia e das fakenews. Apenas não atribuo a elas um poder mágico.<br />
Em 2018, uma parte do nosso campo atribuiu nossa derrota às fake news, como se no Nordeste não tivesse Facebook e Whatsapp. Busco mais respostas na política do que em elementos extraordinários.</p>
<p>Gostaria de me posicionar junto a uma terceira visão: a de que a Classe Trabalhadora mais acerta que erra em sua percepção da realidade.</p>
<p>Assim, devemos olhar melhor para esses dados que tentam nos aproximar da &#8220;realidade factual&#8221;. O índice de desemprego não mede a sub ocupação, o desemprego por desalento, a ocupação desqualificada (o engenheiro que é motorista de aplicativo, por exemplo). Como diria Maria Conceição Tavares, ninguém come PIB. O pico de inflação de alimentos do Governo Bolsonaro já passou, mas não tivemos uma deflação de alimentos que retornasse os alimentos ao seu valor nominal anterior.</p>
<p>Também devemos olhar para outros dados, como o endividamento de 67% dos brasileiros (sendo 21% com dívidas em atraso). Esse endividamento é provocado, sim, pela taxa SELIC, mas principalmente pelo spread bancário, pelas taxas praticadas pelos bancos na ponta. Nesse cenário de estrangulamento das finanças domésticas, 29% dos brasileiros recorrem habitualmente a apostas esportivas.</p>
<p><strong>QUAL O PROBLEMA?</strong></p>
<p>Então, primeiramente, façamos algumas observações sobre a Quaest de abril, que acendeu o nosso farol amarelo:</p>
<p>A última pesquisa presidencial da Quaest foi coletada entre 9 e 12 de abril.</p>
<p>Em março, tivemos um INPC (que mede a inflação para quem ganha até 5 salários mínimos) de 0,91% no mês, que foi divulgado no dia 10 de abril. O IPCA de 0,88% em março também foi divulgado no dia 10 de abril. Vale destacar que o IPCA de fevereiro foi de 0,7% e, em apenas três meses, já temos um acumulado de 1,92% no IPCA em 2026.</p>
<p>Também destaco que colabora com a perspectiva de piora da economia, o fato do plano real não ter desindexado a inflação do IPCA. Isso quer dizer que uma inflação pontual, por guerra ou por intempérie climática, se reproduzirá na próxima década através dos contratos vinculados a índices de inflação. Um terrível efeito cascata.</p>
<p>Por um lado é inegável o alto índice de inflação provocado pela Guerra do Irã (e pela dependência do Brasil sobre o preço internacional do petróleo provocada por Temer e Bolsonaro). Por outro, é fácil supor que a divulgação de tal índice no período de coleta da pesquisa ajudou a pressionar a percepção da inflação de alimentos (&#8220;no mercado&#8221;) para o nível dos 72% que vimos na referida pesquisa.</p>
<p>Outro ponto que vale a pena ser apresentado é que o atual ciclo de alta da SELIC começa entre 09/2024 e 11/2024. E que, pelo que se deduz do que seria o modelo econométrico do Banco Central, estaríamos vivendo hoje, 18 meses depois, os reflexos do início desse aumento da taxa de juros.</p>
<p>O que é inegável na leitura da pesquisa é uma percepção de piora em relação à economia. Acredito, então, que o nosso papel seja investigar o que causa esse resultado na pesquisa especialmente a partir de março/2026.</p>
<p>Não podemos ignorar o IPCA, que já acumula 1,92% em 2026. Ficará para um próximo texto a explanação sobre quais itens são responsáveis pelo aumento do IPCA (e, principalmente, do INPC), para além dos combustíveis e quais os impactos desses produtos na cesta de consumo dos brasileiros.</p>
<p>Não devemos ignorar, também, o endividamento das famílias, bem como o super endividamento. Assim como os gastos com apostas esportivas.</p>
<p>É, também, importante destacar que assumimos o Governo sob alta expectativa da população, que sonha em reviver um Governo Lula 2 ou Dilma 1. A desregulamentação do mundo do trabalho e a precarização existem, assim, como vetor em sentido contrário: grande parte dos trabalhadores que se especializaram e seguem fora do seu ramo de trabalho ou da função para a qual estudou é um fator importante a ser levado em conta.</p>
<p>Entretanto, é nítido que o Governo precisou &#8220;arrumar a casa&#8221; antes de apresentar uma agenda mudancista para o país. A destruição das políticas públicas que ocorreu nos 6 anos anteriores obrigou o governo Lula 3 a retomar agendas que o Brasil já tinha superado, como o fim da fome, seu lugar na geopolítica, a valorização do salário mínimo, uma política de desenvolvimento industrial, políticas sociais, política de vacinação, etc.</p>
<p><strong>O QUE FAZER</strong></p>
<p>Assim, a vitória de Lula na reeleição depende de, fundamentalmente, dois fatores:</p>
<p>1- Comparação do nosso governo com o governo anterior, que foi o governo da fome e da destruição de direitos, da alta inflação de alimentos, da reforma da previdência e do ataque à valorização dos salários;</p>
<p>2- Apresentação de uma política que atenda aos anseios do povo trabalhador, retomando a esperança e com um programa que desenvolva o Brasil.</p>
<p>Assim, avalio que alguns caminhos devem ser seguidos:</p>
<p>O primeiro desses caminhos é ter por eixo central da campanha um forte conteúdo nacional, de soberania, que contraponha o projeto da Classe Trabalhadora e seus aliados ao projeto da Faria Lima, do Brasil-Fazenda e dos representantes do imperialismo. Nesse sentido cabe ênfase em propostas de nacionalização da produção e distribuição dos combustíveis, tendo a Refinaria Abreu e Lima como exemplo. Também nesse sentido é importante colocarmos como bandeira a criação da Terra Bras, empresa pública de terras raras, assim como o questionamento da venda da Serra Verde à USA Rare Earth junto aos órgãos competentes.</p>
<p>Também é central atacar a inflação de alimentos. Hoje somos muito expostos às intempéries climáticas e ao mercado internacional. Os estoques reguladores da CONAB estão lotados e a própria formulação da política não dá conta da inflação das carnes ou de frutas e verduras, por exemplo. É central que mudemos a nossa política de estímulo à produção de alimentos, reduzindo o foco no crédito (que mantém a produção como uma resultante da demanda do mercado) e focando em compra antecipada da produção para posterior venda para a cadeia de beneficiamento de cada alimento.</p>
<p>Importante mantermos a denúncia sobre os juros altos do Banco Central, assim como definirmos que os bancos públicos praticarão taxas menores que o mercado. É central apresentarmos um novo &#8220;desenrola&#8221;, mais profundo, e que apresente condições semelhantes às que damos às repactuações de dívidas do agronegócio. A atual taxa de juros combinada ao endividamento das famílias piora as condições de consumo ao mesmo tempo que atrapalham o desenvolvimento.</p>
<p>Por fim, a nossa agenda nacional, de soberania, deve ter um forte componente de desenvolvimento tecnológico e econômico. Precisamos apresentar como, a partir dessa agenda, geraremos empregos de qualidade e engajaremos a Classe Trabalhadora nesse processo de desenvolvimento.</p>
<p>Se permitiremos que empresas estrangeiras se instalem no Brasil para fabricar chips como condição para a utilização de terras raras, a construção desses pólos tecnológicos e a operação deve ser feita por brasileiros e brasileiras. Se faremos um acordo para permitir Data Centers estrangeiros em solo brasileiro, sob a condição de transferência de tecnologia, as Universidades devem ser convocadas para participar desse processo e devemos ampliar a estrutura de processamento e armazenamento de dados no Brasil.</p>
<p>O que precisamos, antes de qualquer tática, é apresentar à Classe Trabalhadora uma política acertada. Devemos apresentar que estávamos arrumando a casa e muito fizemos. Que não há comparação possível que apresente vantagem ao governo anterior.</p>
<p>Entretanto devemos reconhecer que, também por essa condição que assumimos, nosso governo tem limites. Precisamos de mais quatro anos para aprofundar a melhoria das condições de vida do nosso povo.</p>
<p>Assim, devemos apresentar a nossa política para 2027-2030: uma política nacionalista, de soberania e desenvolvimento econômico e social. Lula 4 será ainda melhor que Lula 3; assim como Lula 2 foi muito melhor que Lula 1. Não há dúvida de que enterraremos de vez o Bolsonarismo como alternativa eleitoral ao nosso projeto de Brasil.</p>
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			</item>
		<item>
		<title>RESOLUÇÃO POLÍTICA DA EXECUTIVA ESTADUAL DO PT BAHIA</title>
		<link>https://www.ptbahia.org.br/artigos/resolucao-politica-da-executiva-estadual-do-pt-bahia/</link>
					<comments>https://www.ptbahia.org.br/artigos/resolucao-politica-da-executiva-estadual-do-pt-bahia/#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[guilherme]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 12 Sep 2025 00:13:56 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Artigos]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>A Executiva Estadual do Partido dos Trabalhadores da Bahia, reunida em 11 de setembro de [&#8230;]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>A Executiva Estadual do Partido dos Trabalhadores da Bahia, reunida em 11 de setembro de 2025, manifesta-se diante das recentes movimentações do ex-prefeito de Salvador, ACM Neto, que, em aliança com setores da extrema-direita, busca desestabilizar o governo do presidente Lula e atacar os interesses do povo brasileiro.</p>
<p><strong>Sempre contra Lula e o povo da Bahia </strong></p>
<p>É necessário reafirmar que a postura de ACM Neto não é circunstancial, mas parte de sua trajetória política. Foi defensor do golpe contra a presidenta Dilma Rousseff, apoiou a prisão política do presidente Lula, sustentou o governo ilegítimo de Michel Temer e se aliou a Jair Bolsonaro. Durante a gestão Temer, trabalhou para impedir que a Bahia recebesse R$ 600 milhões em recursos federais, provando sua disposição em prejudicar o povo quando acredita que isso pode lhe render ganhos políticos.</p>
<p>Hoje, ACM Neto atua alinhado à extrema-direita, apoia a anistia de Bolsonaro e se posiciona ao lado daqueles que atacaram a democracia brasileira em 8 de janeiro de 2023. Não se pode esquecer ainda que ACM Neto defende quem arquitetou planos de assassinato contra o presidente Lula, revelando sua cumplicidade com forças que não hesitam em atentar contra a vida e a soberania nacional.</p>
<p>Portanto, é falsa a narrativa de neutralidade que ACM Neto tentou sustentar nas eleições de 2022, quando afirmou que “tanto fazia” quem seria o presidente. Sua prática comprova o contrário: ele sempre esteve ao lado do que há de mais atrasado na política nacional.</p>
<p><strong>O legado dos governos Lula</strong></p>
<p>O povo baiano e brasileiro conhecem a diferença entre os dois projetos de país. Foi nos governos do presidente Lula que o Brasil viveu um período de inclusão social, desenvolvimento econômico e afirmação da soberania nacional. Na Bahia, esse legado se expressa em políticas que mudaram a vida do povo:</p>
<p>● <strong>Bolsa Família,</strong> que retirou milhões de baianos e baianas da miséria;</p>
<p>●<strong> Minha Casa Minha Vida,</strong> que garantiu a casa própria para milhares de famílias;</p>
<p>● <strong>Prouni, Reuni, Fies e a expansão dos Institutos Federais</strong>, com dezenas de unidades na Bahia e a criação de cinco novas universidades federais;</p>
<p>● <strong>Luz para Todos,</strong> que levou energia elétrica a milhões de famílias no campo e na cidade;</p>
<p>● <strong>Samu e Farmácia Popular,</strong> que ampliaram o cuidado com a saúde do povo;</p>
<p>●<strong> Fortalecimento do SUS, do SUAS e do SUASP,</strong> assegurando direitos sociais básicos;</p>
<p><strong>● Políticas para as mulheres</strong>, garantindo proteção, inclusão e autonomia.</p>
<p><strong>O presente governo Lula </strong></p>
<p>Hoje, no seu terceiro mandato, o presidente Lula reafirma este compromisso e implementa políticas que novamente transformam a vida do povo brasileiro:</p>
<p>● Pé-de-Meia, garantindo a permanência da juventude na escola;</p>
<p>● Gás do Povo, assegurando o direito de cozinhar com dignidade;</p>
<p>● Redução histórica do desemprego, fruto da retomada do crescimento econômico;</p>
<p>● Enfrentamento ao tarifaço e combate ao peso do pedágio abusivo;</p>
<p>● Reafirmação da soberania nacional diante das pressões do capital financeiro e da extrema-direita.</p>
<p><strong>As tarefas do PT na Bahia</strong></p>
<p>Diante dessa conjuntura, a Executiva Estadual do PT Bahia delibera:</p>
<ol>
<li>Denunciar a verdadeira face de ACM Neto, desmascarando sua falsa neutralidade e revelando sua aliança com a extrema-direita e o bolsonarismo.</li>
<li>Mobilizar a militância e o povo em defesa da democracia, da soberania nacional e das conquistas sociais dos governos Lula.</li>
<li>Fortalecer as ações de rua já em curso, como o Plebiscito Popular, os atos de soberania nacional, as mobilizações de 7 de setembro e todas as lutas populares contra o avanço da direita neoliberal e autoritária.</li>
<li>Defender e divulgar as políticas públicas do governo Lula, mostrando ao povo baiano que é este projeto que garante dignidade, desenvolvimento e justiça social.</li>
</ol>
<p>ACM Neto é contra a Bahia, contra Lula, contra o Brasil. É bolsonarista.</p>
<p>Executiva Estadual do PT Bahia<br />
11 de setembro de 2025</p>
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		<title>RESOLUÇÃO POLÍTICA DO PARTIDO DOS TRABALHADORES DA BAHIA</title>
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		<dc:creator><![CDATA[guilherme]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 12 Sep 2025 00:07:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Artigos]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Sobre o julgamento de Jair Bolsonaro A Executiva Estadual do Partido dos Trabalhadores da Bahia, [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p><strong>Sobre o julgamento de Jair Bolsonaro</strong></p>
<p>A Executiva Estadual do Partido dos Trabalhadores da Bahia, reunida em 11 de setembro de 2025, delibera a seguinte resolução política:</p>
<h2><strong>1. Avaliação de Conjuntura</strong></h2>
<p>1.1. O Brasil viveu, nos últimos anos, um grave processo de ameaça à democracia, liderado por Jair Bolsonaro e seu grupo político, que atentaram contra as instituições, desrespeitaram a Constituição e instigaram a violência política.</p>
<p>1.2. Os ataques reiterados ao sistema eleitoral, às urnas eletrônicas e às liberdades democráticas culminaram nos atos golpistas de 8 de janeiro de 2023, que representaram uma tentativa frustrada de subversão da ordem constitucional.</p>
<p>1.3. O julgamento de Jair Bolsonaro simboliza não apenas a responsabilização de um indivíduo, mas a afirmação do Estado Democrático de Direito e o fortalecimento da democracia brasileira.</p>
<h2><strong>2. Posição do Partido</strong></h2>
<p>2.1. O Partido dos Trabalhadores reafirma sua confiança no sistema de Justiça brasileiro e no devido processo legal, defendendo que a lei seja aplicada a todos, sem privilégios nem perseguições.</p>
<p>2.2. O PT ressalta a importância do respeito à autonomia e à independência dos Poderes da República, rejeitando qualquer tentativa interna ou externa de desequilíbrio institucional ou de ameaça à soberania nacional.</p>
<p>2.3. O Partido entende que a responsabilização de Jair Bolsonaro é condição necessária para que o Brasil avance na reconstrução democrática, afastando definitivamente as sombras do autoritarismo e do golpismo.</p>
<p>2.4. O julgamento em curso reafirma valores fundamentais: o respeito às instituições, à soberania popular expressa nas urnas e à Constituição Federal.</p>
<h2><strong>3. Defesa da Democracia e da Soberania Nacional</strong></h2>
<p>3.1. O Partido dos Trabalhadores estará permanentemente nas trincheiras de luta, junto com seus aliados e os movimentos sociais, em defesa da democracia, da soberania popular e da Constituição.</p>
<p>3.2. O julgamento de Jair Bolsonaro desencadeou, por articulação da família Bolsonaro, uma ofensiva de ataques e tentativas de intervenção do governo de extrema-direita dos Estados Unidos contra o Brasil. Nesse contexto, Donald Trump intensificou ameaças de natureza bélica e econômica, com o objetivo de constranger e desestabilizar o funcionamento do Judiciário nacional, buscando ferir a soberania brasileira.</p>
<p>3.3. O PT reconhece os riscos que representam essas ofensivas e reafirma que a defesa da soberania nacional é inegociável. Nenhuma pressão internacional poderá se sobrepor à autodeterminação do povo brasileiro e às instituições democráticas do país.</p>
<h2><strong>4. Compromisso com o Futuro do Brasil</strong></h2>
<p>4.1. O Partido dos Trabalhadores reafirma sua luta pela consolidação da democracia como prática cotidiana, pelo aprofundamento da participação popular e pelo combate permanente às desigualdades sociais.</p>
<p>4.2. O PT seguirá vigilante para que o julgamento de Jair Bolsonaro se converta em um marco histórico no combate ao autoritarismo e ao extremismo político no Brasil.</p>
<p>4.3. Reiteramos nosso compromisso com a construção de um Brasil soberano, democrático, justo e solidário, guiado pelos valores da liberdade, da igualdade e da participação popular.</p>
<p><strong>Salvador – Bahia, 11 de setembro de 2025.<br />
Executiva Estadual do Partido dos Trabalhadores da Bahia</strong></p>
<p><strong> </strong></p>
<p>&nbsp;</p>
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		<title>O Império das Leis: por que a Democracia não é só a vontade da maioria</title>
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		<dc:creator><![CDATA[ative]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 18 Aug 2025 12:00:29 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Artigos]]></category>
		<category><![CDATA[Éden Valadares]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Imagine acordar com a polícia batendo à sua porta: “Você está preso por criar um [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>Imagine acordar com a polícia batendo à sua porta: “Você está preso por criar um pet.” Absurdo? Pois é assim que funcionaria um mundo onde a maioria, num momento de euforia ou manipulação, pode decidir arbitrariamente o que é crime ou não. Felizmente, vivemos sob o Império da Lei – um sistema que protege direitos individuais mesmo quando a opinião pública se volta contra eles.</p>
<p>Na semana passada, uma pesquisa da AtlasIntel revelou que 52% dos brasileiros são contra a prisão domiciliar de Jair Bolsonaro. Imediatamente, aliados do ex-presidente saíram em defesa não só dele, mas de uma suposta anistia para todos os envolvidos no 8 de Janeiro. O senador Ciro Nogueira (PP-PI) chegou a afirmar que “o povo não aceita injustiça”, como se a vontade da maioria, por si só, justificasse ignorar processos judiciais. Eis o erro – e o perigo.</p>
<p>Democracias constitucionais não são governos da maioria; são governos das leis. Não importa se você gosta ou não de Bolsonaro, se simpatiza com o governo ou a oposição: o Estado de Direito existe para garantir que nenhum poder – nem mesmo o &#8220;povo&#8221; num momento de paixão – possa pisar em princípios básicos como devido processo legal, separação de poderes e direitos fundamentais.</p>
<p>A função da Justiça é aplicar a lei, mesmo quando isso desagrada a maioria. Essa é a barreira que impede que a democracia vire tirania da massa – como quando Bolsonaro e seus aliados, derrotados nas urnas, tentaram fraudar eleições, planejar assassinatos políticos e manter-se no poder à força. O voto popular deve ser respeitado nas eleições, não nos tribunais.</p>
<p>A mesma Constituição que protege um cidadão de ser preso por ter um cachorro é a que deve julgar e condenar golpistas. Leis não servem para agradar plateias: servem para garantir que direitos e deveres valham para todos, sem exceção. Se abandonarmos esse princípio, nenhuma liberdade estará segura – nem a sua, nem a minha.</p>
<p><em><strong>Éden Valadares</strong> é presidente estadual do PT Bahia.</em></p>
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		<title>PT elege filhos da classe trabalhadora &#8211; por Herlon Miguel</title>
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		<dc:creator><![CDATA[guilherme]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 24 Jul 2025 22:58:44 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Artigos]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Num país onde os filhos da elite seguem controlando partidos, bancos e veículos de comunicação, [&#8230;]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Num país onde os filhos da elite seguem controlando partidos, bancos e veículos de comunicação, é o Partido dos Trabalhadores que, mais uma vez, reafirma sua identidade ao eleger filhos da classe trabalhadora para suas presidências estadual e municipal na Bahia. Tássio Brito, com trajetória forjada no movimento estudantil e na relação com o MST, e Ana Carolina, mulher negra com forte atuação no movimento estudantil e em Salvador, representam não apenas uma vitória eleitoral, mas uma escolha simbólica e política: a de manter o partido enraizado na base. Só o PT, entre os grandes partidos brasileiros, tem a ousadia de confiar a direção partidária àqueles que vêm do povo e que, por isso mesmo, sabem o que é construir política com os pés na rua. Ambos são filhos de trabalhadores que não herdaram o poder; ao contrário, enfrentaram as dificuldades de serem pessoas negras disputando espaço no interior do próprio partido.</p>
<p>A eleição de Ana Carolina, com 75% dos votos em Salvador, também aponta para uma nova fase do PT na capital: mais próxima dos bairros, mais conectada com as mulheres negras, com os territórios periféricos e com os movimentos sociais urbanos. Não se trata apenas de um novo nome, mas de um novo método. Sua eleição é um marco para a política em Salvador e deve trazer uma forma mais horizontal de gestão, com diálogo amplo e valorização das lutas locais. A capital baiana é um dos maiores desafios eleitorais e simbólicos para a esquerda — e a leveza de Ana pode ajudar a reposicionar o PT no coração do povo soteropolitano. Ela chega sem rejeições e com vontade renovada.</p>
<p>No caso de Tássio Brito, a crítica à sua presença na gestão anterior como secretário de Finanças foi uma das táticas da oposição, mas revelou limites. A experiência mostra que, mesmo dentro de um mesmo grupo político, quem ocupa a presidência é quem define os rumos estratégicos. Assim como vimos nos diferentes estilos e prioridades entre os governos Lula e Dilma, dentro do PT da Bahia também há diferenças de postura, de ritmo e de visão. Reconhecer isso é parte do amadurecimento político do partido. Com Tássio, há expectativa de um novo tempo, com mais diálogo com a base, valorização dos quadros jovens e impulso às novas formas de organização popular.</p>
<p>Naturalmente, todo processo eleitoral envolve disputas, alianças e até algum grau de artificialidade — o que é reclamado hoje já foi ontem e será também amanhã. Isso não anula, no entanto, a legitimidade de uma vitória construída com ampla maioria: 73% dos votos para Tássio Brito na direção estadual e 75% para Ana Carolina em Salvador, a maior votação proporcional da história do PED na capital. Essa escolha expressa uma síntese política firmada por maioria expressiva, que apostou na renovação de métodos, no fortalecimento da militância e na reconstrução de uma presença política mais viva e enraizada.</p>
<p>Mas há uma missão essencial que pesa sobre os ombros de Ana Carolina e Tássio Brito: a missão de unificar o PT. Não se trata de apagar divergências, que são parte viva da história do partido, mas de criar espaços reais de escuta, formulação coletiva e reconstrução de vínculos políticos. A unidade não é um discurso pronto; é um processo construído no cotidiano, na partilha das decisões e no reconhecimento das diferenças. A condução política agora exige grandeza, paciência e uma aposta no que o PT tem de mais potente: sua diversidade interna e sua militância.</p>
<p>É nesse ponto que cabe uma crítica fraterna e necessária: o PT da Bahia precisa, urgentemente, diminuir os níveis de intervencionismo sobre seus dirigentes eleitos. A autonomia da direção partidária deve ser respeitada, mesmo que em diálogo com os diferentes setores da legenda. Não se pode esperar inovação se tudo for tutelado. Além disso, há uma demanda urgente de renovação da esquerda baiana nos parlamentos. Ana e Tássio precisam liderar o processo de construção de uma nova geração de vereadores, deputados e deputadas que representem a Bahia real, com mais mulheres negras, jovens da periferia, lideranças indígenas, LGBTQIA+ e trabalhadores urbanos e rurais. Isso exige ousadia e método.</p>
<p>O partido também precisa atualizar sua agenda de organização popular. Bairro por bairro, é preciso voltar a ter base. Isso implica disputar a narrativa da esperança contra a política do medo que a extrema-direita tem espalhado, sobretudo entre a população evangélica. Implica também fortalecer a presença da esquerda nas redes, onde o PT ainda atua de maneira desorganizada e defensiva. E, mais do que nunca, o partido precisa propor uma nova agenda sindical: não basta defender direitos do século XX, é preciso enfrentar o poder das big techs, o trabalho por aplicativo e os novos modos de exploração digital. Isso exige uma nova pedagogia política e um novo programa.</p>
<p>Por fim, é hora do PT sonhar grande e realizar. Que se fortaleçam ações de massa, com alcance popular real, como festivais culturais, encontros regionais, formações políticas descentralizadas — inclusive por educação a distância — que democratizem o saber. Que a política não seja só debate de cúpula ou disputa de aparato interno. Que seja também afeto coletivo, organização, ousadia e compromisso com as lutas do povo. Tássio e Ana não apenas podem, como devem conduzir esse novo tempo. A história os chama e a militância espera.</p>
<p>É fundamental também, parabenizar as pessoas, muito sérias, que disputaram a maior eleição da história do PT da Bahia.</p>
<p>O mais simbólico de tudo isso é lembrar que, num país em que os filhos dos trabalhadores são, em regra, excluídos das instâncias de decisão e poder, o PT ainda é capaz de elegê-los. Não há outro grande partido nacional que tenha essa coerência histórica. Em nenhuma outra legenda seria possível que uma mulher negra periférica ou um jovem do ligado ap MST chegassem, com legitimidade e voto, à presidência partidária. O PT segue sendo o instrumento político dos de baixo — e essa é uma escolha que deve ser reafirmada, defendida e celebrada.</p>
<p><strong><em>Herlon Miguel é administrador e ativista da cultura, comunicação e do antirracismo.</em></strong></p>
<p><strong><em><br />
Este artigo foi publicado originalmente no Portal M!</em></strong></p>
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		<title>Acusação de que Lula faz campanha &#8220;nós contra eles&#8221; é falsa &#8211; por Edinho Silva</title>
		<link>https://www.ptbahia.org.br/artigos/acusacao-de-que-lula-faz-campanha-nos-contra-eles-e-falsa-por-edinho-silva/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[guilherme]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 18 Jul 2025 10:00:31 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Artigos]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Publiquei um artigo na Folha de São Paulo, nesta quinta-feira, 17, onde abordo a necessidade [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<div class="xdj266r x14z9mp xat24cr x1lziwak x1vvkbs x126k92a">
<div dir="auto">
<p>Publiquei um artigo na Folha de São Paulo, nesta quinta-feira, 17, onde abordo a necessidade de defesa da soberania nacional, da urgência do Congresso Nacional construir uma agenda para o país, fugindo do varejo, dos projetos individuais, e a necessidade do restabelecimento do presidencialismo, e de uma reforma política eleitoral para o fortalecimento da democracia.</p>
</div>
</div>
<div class="x14z9mp xat24cr x1lziwak x1vvkbs xtlvy1s x126k92a">
<div dir="auto"><strong>Confira abaixo a íntegra do texto:</strong></div>
</div>
<div class="x14z9mp xat24cr x1lziwak x1vvkbs xtlvy1s x126k92a">
<div dir="auto"></div>
<div dir="auto">
<p>O Brasil tem muitos desafios pela frente, mas alguns parecem especialmente relevantes para o próximo período. Um deles, de imediato, é unir o país em torno das consequências deixadas pela aliança da família Bolsonaro e do bolsonarismo, que cada vez mais se caracteriza com o fascismo que se alastra no mundo, com o presidente dos EUA, Donald Trump. Trata-se de um casamento marcado pela inconsequência e pelas medidas irresponsáveis que geram danos para o povo brasileiro e para as instituições nacionais, agredindo a nossa soberania.</p>
</div>
</div>
<div class="x14z9mp xat24cr x1lziwak x1vvkbs xtlvy1s x126k92a">
<div dir="auto">
<p>A aliança de inspiração fascista Bolsonaro/Trump politiza a racionalidade econômica e gera danos ao agronegócio e à indústria brasileira, bem como a cada brasileiro e brasileira que será afetado pelo tarifaço sobre nossos produtos.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>A violência do presidente americano tem motivos explícitos: o fortalecimento do Brics e sua autonomia na construção de novas relações econômicas e políticas —a construção do multilateralismo. Trump não aceita nada que seja alternativo à concepção unilateralista hegemonizada pelos EUA. Também está explícita a intromissão política de Trump sobre o Brasil para tentar livrar Jair Bolsonaro do julgamento pela tentativa de golpe. Uma agressão às instituições brasileiras, um desrespeito ao nosso Poder Judiciário.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Esse não é um desafio pequeno e também não é o único. Ainda precisamos cicatrizar as feridas deixadas pela recente batalha envolvendo o IOF. Mais do que o debate sobre arrecadação, alíquotas ou alternativas para cumprir as metas fiscais do país, está em jogo uma discussão maior e mais profunda, capaz de demarcar o Brasil que desejamos construir: queremos, afinal, ser um país dos privilégios ou da igualdade de oportunidades? Debate que o mundo terá que fazer diante da concentração global da renda.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>O governo do presidente Lula lançou esse importante debate. Por exemplo, o Brasil não pode mais conviver com R$ 860 bilhões de renúncia fiscal. Precisamos debater quais setores estão sendo beneficiados às custas do restante dos brasileiros. É inaceitável que grandes corporações sejam desoneradas, sem limite temporal, enquanto o pequeno e o médio empresário, mesmo setores do grande empresariado, o empreendedor, o trabalhador autônomo e o assalariado sigam pagando seus impostos, pagando a conta da desoneração &#8220;ad eternum&#8221;.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>É também moral, ética e economicamente insustentável que, proporcionalmente, os mais ricos paguem menos impostos do que pessoas mais pobres por um sistema que, na prática, beneficia o topo da escala da renda.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>A radicalização do Congresso, cuja maioria derrubou um decreto presidencial, levou o governo a agir com firmeza e demonstrar a falácia dos argumentos de aumento dos impostos, de quem resistiu à alteração do IOF, e da tributação de quem deve pagar e não paga, caracterizando a sociedade de privilégios. O governo precisa passar um pente-fino nas suas despesas e não tem se esquivado dessa missão, liderada pelo ministro da Fazenda, Fernando Haddad. Mas esse esforço será estéril se o preço da injustiça tributária continuar sendo pago pelo conjunto da sociedade brasileira.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Diante da repercussão de sua mensagem, logo se acusou o governo e o PT de disseminarem uma campanha do &#8220;nós contra eles&#8221;, como se, ao defender justiça social, privilegiasse sua base eleitoral em detrimento de outras. Nada mais falso.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Sejamos justos: o que se está propondo é justamente debater a natureza da realidade tributária e da renda. Trata-se, portanto, de uma discussão sobre carga tributária, desigualdade de renda e privilégios. Não é o &#8220;nós&#8221; contra &#8220;eles&#8221;, mas o alerta sobre um país onde a minoria de privilegiados prejudica o Brasil. Um país desigual é ruim para todos, inclusive para a tal minoria privilegiada.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Mas o episódio do IOF descortinou um desafio ainda maior: o desarranjo institucional brasileiro —o processo de descaracterização do presidencialismo brasileiro, que se aprofundou no governo de Michel Temer e ultrapassou todos os limites no governo Bolsonaro.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Quando está nas mãos do Congresso a responsabilidade pela execução de mais de R$ 52 bilhões do Orçamento da União por meio de emendas parlamentares, transformamos o nosso presidencialismo em semipresidencialismo ou semiparlamentarismo.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>O fato é que o presidente da República, eleito com uma plataforma escolhida pela maioria dos eleitores, vê sua agenda descaracterizada e seu poder praticamente anulado pela concentração de atribuições no Parlamento. Lula foi eleito em 2022 apoiado por uma frente ampla que nasceu tanto da resistência ao autoritarismo de natureza fascista que representava a candidatura de Jair Bolsonaro quanto da convicção de que Lula era —e é— a principal liderança capaz de unir o país nos valores da democracia.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Ele, assim como o seu partido, o PT, sempre trabalhou com agendas fundamentadas na justiça social e na igualdade de oportunidades e foi sobre ela que a frente ampla também se assentou. Não mudamos de lado, o Brasil sabe o que defendemos.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Os desafios impostos ao país, no entanto, extravasam o campo do PT e aliados. O atual tensionamento político vai requerer mais diálogo, capacidade de construção de consensos, costura de alianças com diferentes partidos dentro do campo democrático e uma concertação institucional envolvendo os três Poderes. Não há outro nome capaz de liderar esse movimento senão o presidente Lula, lidando com distintas forças —da esquerda ao centro, os movimentos sociais e sociedade civil organizada.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Nos últimos dias, tive a honra de ser eleito para presidir o PT no próximo ciclo e, com esse papel, espero contribuir para essa construção. Nem o presidente nem o governo como um todo e nem o PT desejam ampliar tensões e desabonar o Congresso. É necessária uma agenda de futuro que fuja do varejo político e dos interesses individuais. Além da urgência da justiça tributária e do financiamento do SUS, o Brasil precisa urgentemente:</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>1. de uma reforma político-eleitoral: os partidos precisam se fortalecer sobre os interesses menores para o bem da democracia. Voto em lista já;</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>2. de uma agenda para a condução da transição energética. A urgência climática é prioridade;</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>3. de um programa para os recursos advindos da exploração da margem equatorial; reflorestamento da floresta amazônica, novas tecnologias para monitoramento do combate ao desmatamento, investimento em projeto de desenvolvimento econômico sustentável para a região da Amazônia Legal; universalização da educação integral e primeira infância;</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>4. uma política de segurança pública que adote as novas tecnologias, não banalize a violência e valorize as carreiras dos policiais.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Além de pautarmos com tranquilidade, mas sem morosidade, a questão da escala 6&#215;1 e o colapso do transporte público nos grandes centros urbanos, se quisermos um Congresso Nacional em sintonia com o povo brasileiro.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Mas, ao mesmo tempo, sabemos que só responderemos aos desafios com coragem e muita capacidade de construção de consensos. É possível e urgente dialogar em meio às diferenças, respeitando visões distintas da nossa sociedade, sabendo que a única radicalização que importa é acreditar no Brasil e em nossos interesses comuns, no legado para futuras gerações. A começar pelo maior interesse de todos: justiça social com democracia.</p>
</div>
</div>
<div class="x14z9mp xat24cr x1lziwak x1vvkbs xtlvy1s x126k92a">
<div dir="auto"></div>
</div>
<div dir="auto"></div>
<div dir="auto"><strong>Edinho Silva é o presidente eleito do PT Nacional</strong></div>
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			</item>
		<item>
		<title>Éden: Protagonista da renovação, dedicado militante do projeto político de mudança da Bahia &#8211; Artigo de Emiliano José</title>
		<link>https://www.ptbahia.org.br/artigos/eden-protagonista-da-renovacao-dedicado-militante-do-projeto-politico-de-mudanca-da-bahia-artigo-de-emiliano-jose/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[guilherme]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 09 Apr 2025 13:58:27 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Não é desafio fácil. Promover novas lideranças é tarefa difícil. Os velhos dirigentes, pretendendo sobreviver, [&#8230;]</p>
<p>O post <a href="https://www.ptbahia.org.br/artigos/eden-protagonista-da-renovacao-dedicado-militante-do-projeto-politico-de-mudanca-da-bahia-artigo-de-emiliano-jose/">Éden: Protagonista da renovação, dedicado militante do projeto político de mudança da Bahia &#8211; Artigo de Emiliano José</a> apareceu primeiro em <a href="https://www.ptbahia.org.br">PT - Bahia</a>.</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>Não é desafio fácil. Promover novas lideranças é tarefa difícil. Os velhos dirigentes, pretendendo sobreviver, costumam se agarrar às posições ocupadas, e têm dificuldades de abrir espaços aos novos líderes. Está marcado na história. Na ciência política. Na literatura. Vale pra direita, vale pra esquerda. A nós, aqui, interessa nossa caminhada. Homens e mulheres voltados à luta pela emancipação da humanidade do violento jugo do capital, horizonte de quem luta lado a lado com a classe trabalhadora.</p>
<p>Pepe Mujica, tem pouco tempo, disse desse desafio, da importância dele. E alertou: não fazendo essa passagem de bastão, estamos condenados ao fracasso. A sabedoria dos veteranos, em nome do projeto político, está exatamente em saber sair de cena, afastar-se da ribalta, lentamente seja, entregando o protagonismo às jovens lideranças. Resistência a esse movimento, sempre há. Argumentos contrários, muitos. Alude-se normalmente à experiência. À falta dela. E com tal argumento, sempre é postergada a chegada dos novos dirigentes. Vamos combinar? Experiência só é alcançada se ao militante jovem é dada oportunidade. Se há ousadia de colocá-lo em posto chave. Senão, como isso ocorrerá?</p>
<p>É duro dizer, mas necessário: aos dirigentes veteranos, agarrados às posições de mando, sem querer abrir espaço aos jovens, necessário lembrar da finitude. Todos nós, todos, passamos. E no outono da existência, no esplendor do conhecimento, da experiência adquirida, é aconselhável ajudar a preparar o terreno para a primavera, para os jovens, os guardiões do futuro. Mujica tem razão. Lembro de um romance. “A curva da estrada”, de Ferreira de Castro. O velho dirigente se incomoda ao ver surgir uma nova e vigorosa liderança. Tem ciúme. Mas um dia chega a compreensão: já era hora de cuidar das flores, das rosas, das flores, extirpar as ervas daninhas. E deixar os jovens dirigentes abraçarem a direção da luta. A eles, caberia agora o combate às ervas daninhas da vida política. Foi cuidar do jardim. Boa metáfora.</p>
<p>Creio estarmos vivendo um importante momento de transição no projeto político dirigido pelo PT baiano. Renovação. Na Bahia, os líderes mais velhos têm sabido ousar. E trazer os mais jovens para a linha de frente. Os mais velhos, à retaguarda. Evidente, há numa transição assim, uma necessária dialética. Os mais novos sabem da necessidade de buscar ensinamentos entre os mais velhos. Sabem: neles mora muita sabedoria. Muita experiência. Combina-se então a ousadia das novas ideias, muitas vezes possíveis, sobretudo, a partir da juventude, com o imenso aprendizado construído ao longo do tempo pelas velhas lideranças. Uma dialética onde articulam-se o vigor do pensamento dos jovens dirigentes com a riqueza da experiência, do conhecimento adquirido pelos mais velhos.</p>
<p>Tenho visto, com alegria, no caso baiano, a emergência de jovens, mulheres e homens, com imensa capacidade de direção, nascidas da luta política de esquerda. Têm demonstrado não só convicções de esquerda, fundadas da boa doutrina, como evidenciado capacidade de direção administrativa, talento na gestão. E tal renovação tem valido para todas as expressões da vida política. A eleição de um governador jovem, como Jerônimo Rodrigues, só foi possível pela ousadia das grandes lideranças desse projeto de esquerda na Bahia, e aqui destaco de modo especial, a ousadia do senador Jaques Wagner, de quem também partiu a indicação de outro jovem, lá atrás, Rui Costa, para assumir a linha de frente e chegar a governador. Wagner, na última eleição, soube abrir mão da candidatura para ceder lugar, e de modo entusiasmado, a Jerônimo Rodrigues, uma surpresa extraordinária, e digo surpresa àqueles que ainda não o conheciam.</p>
<p>Nos vários escalões de governo, inúmeros jovens estão se destacando, dando as cartas, e eu evito nomes de modo a não cometer injustiças. É fácil percebê-los na linha de frente do governo. Governador jovem, equipe jovem. Digo tudo isso para chegar ao partido, ao Partido dos Trabalhadores. Também aqui foi iniciado um vigoroso processo de renovação, com a eleição de Éden Valadares, cercado de um monte de jovens lideranças. O atual presidente é expressão vigorosa desse processo de renovação da política na Bahia, de modo especial, do nosso projeto político. Vou me deter um pouco em Éden. Tratar do glorioso cargo de presidente do PT. Glorioso e espinhoso, não é possível esconder. Já fui presidente. Sei de glórias e espinhos. Quando assumi, 2005, mais espinhos. Era pouco conhecido, nosso atual presidente. Uma incógnita, de alguma forma. Sempre assim, quando de renovações. E ele, no exercício da presidência, vou pedir licença pra dizer, revelou-se um leninista. Nem sei se ele gostará dessa definição. Eu gosto de recorrer à tipologia de Lenin sobre militantes.</p>
<p>Éden conseguiu unir, no trabalho cotidiano à frente do partido, nesses quase seis anos, a condição de agitador e propagandista. Condições fundamentais do militante político, ao menos considerando a velha escola do dirigente da Revolução Russa, e sei: aqui e acolá haverá um ou outro a torcer o nariz, como se o velho Lenin fosse simplesmente coisa do passado, a desprezar. Tá legal, eu aceito o argumento: é do passado. Mas é também do presente. Sob muitos aspectos, guarda atualidade. Lenin falava muito de uma tipologia de militante. Havia o agitador, aquele da palavra de ordem, a levar a multidão à loucura. É militante fundamental. É o incendiário, necessário para animar as massas, sobretudo, grandes massas. E o propagandista, o militante educador, a desenvolver melhor a teoria, a formar os militantes, formular. Éden reúne as duas qualidades. Exerceu-as de acordo com as necessidades. Soube agitar, quando necessário, e muitas vezes, era.</p>
<p>E soube educar, convencer, ser autêntico propagandista, e nesses casos, necessário aprofundar a discussão, ir mais fundo. Diferentemente do momento de agitação, quando a palavra de ordem pode bastar. Olhar atilado, perspicaz, capaz sempre de olhar o entorno, e por isso, competente para analisar a conjuntura, intervir nela, com sobriedade e firmeza. O militante pode ser bom formulador. Mas pode tremer e não se desenvolver bem na tribuna. Éden revelou-se excelente tribuno. Na tribuna, despontou um e outro: o agitador e o propagandista, o formulador. Debatedor contundente. Alguns talvez vejam nele um tribuno à moda antiga, e creio ele não verá isso como algo negativo, falo de grandes tribunos com quem convivi, e ouso lembrar o nome de Waldir Pires. Éden não recusa o debate. E curioso: tem talento para o confronto. Se ele se faz necessário, não se afasta. Vai pra linha de frente. Tem até, eu diria, certo prazer nisso. Sabe enfrentar as câmeras, valer-se dos microfones, falar de modo amplo às mais variadas mídias.</p>
<p>Fez da presidência locus da organização, da formação da militância, da estruturação consistente do partido por todo o Estado, vinculando-o fortemente ao projeto político de esquerda iniciado em 2007, após a vitória de Wagner em 2006. Mas, também, fez da presidência, tribuna. Voltada a combater vozes esmaecidas do passado oligárquico e autoritário, sempre tentadas a reocupar espaço na vida política. Sabe, porque conhece a história antiga e recente da Bahia, da intenção da velha tradição fundada no carlismo pretender, sem sucesso, pela mentira, pela demagogia, por fake news erodir o projeto político. Em nenhum momento, Éden deixou o espaço vazio quando tais vozes emergiram. Em nenhum momento. E aqui, mais uma vez, e não sei se com isso o incomodo, ele revelou espírito tipicamente leninista. Pela energia com que defendeu as posições do partido. Pelo vigor.</p>
<p>Desassombro. Nunca levou desaforo pra casa. Sempre, no entanto, com segurança, com fundamentos sólidos, com informação. Trata o adversário com respeito, como da boa política, mas o combate de modo firme, resoluto. Fez isso o tempo inteiro. Era o adversário tentar atingir nosso projeto, e ele saltava de lá. Um ousado D’Artagnan. Espada afiada. Chamando pra briga. Com o adversário, nenhuma conciliação. O neto de passado oligárquico ficou sempre diminuído quando dos confrontos. Quis sempre copiar o estilo arrogante e autoritário do avô, e tal característica sempre foi lembrada por Éden. De alguma forma, ajudado pelo adversário. Éden mostrou o quanto ele, o neto, por conta própria, se isolou. Até de seus pares. Hoje um político pequeno, triste figura. E isso, esse combate permanente do presidente, animou a militância do partido. Deu instrumentos a ela.</p>
<p>Esse militante, esse dirigente, tão jovem, estava pronto quando assumiu a presidência do Partido? Ouso dizer: não. Formou-se à frente do partido. Certamente, teve dúvidas. Certamente, errou. E foi aprendendo. Quando se pretende renovação, há de ser assim. Hoje, experimentado quadro político, disposto a fazer a transição para alguma outra jovem liderança porque considera incorreto disputar uma nova eleição, com a qual, se cumprido o mandato, cumpriria uma década à frente do partido, muito tempo, na opinião dele. Se foi protagonista da renovação, lado a lado com tantas outras novas lideranças, não iria agora agarrar-se ao cargo. Sai com a convicção do dever cumprido.</p>
<p>Não irá cuidar do jardim, porque muito cedo. Ainda há décadas pela frente para contribuir com a vida política. Sai da presidência, cheio de orgulho, justo orgulho. A mais cintilante experiência vivida por ele até agora. Carrega essa medalha no peito. Vai exibi-la sempre. E vai sempre lembrar: o exercício da presidência foi compartilhado, muito compartilhado. Contou com muitas companheiras, companheiros na direção, a acompanhá-lo cotidianamente. Trabalho coletivo. Mas, o partido, certamente, sabe: deve abraça-lo, agradecer pela dedicação desses anos, pelo fortalecimento de nossos ideais, de nosso projeto. Do futuro, sabe pouco. Pensar, refletir com tantas companheiras, companheiros. E tocar em frente. Uma longa caminhada, a contribuir muito para mudar esse mundo numa festa de trabalho e pão, democracia, liberdade, igualdade.</p>
<p>Viva o PT! Viva Éden Valadares!</p>
<p>O artigo do ex-deputado, escritor e professor Emiliano José foi <a href="https://www.bnews.com.br/noticias/artigo/eden-protagonista-da-renovacao-dedicado-militante-do-projeto-politico-de-mudanca-da-bahia.html">publicado originalmente no BNews</a>.</p>
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		<title>PT 45 anos: um Brasil para todos</title>
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		<dc:creator><![CDATA[guilherme]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 08 Feb 2025 11:20:41 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>No próximo dia 10 de fevereiro o Partido dos Trabalhadores completará 45 anos de fundação. [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>No próximo dia 10 de fevereiro o Partido dos Trabalhadores completará 45 anos de fundação. Forjado da luta sindicalista, das Comunidades Eclesiais de Base, das organizações marxistas e da luta contra a Ditadura, o PT representou e representa grandes sonhos: a classe trabalhadora assumindo seu papel protagonista nas definições políticas do país &#8211; e não representada de forma indireta; a possibilidade de que a democracia seja realidade para todos e todas, não apenas nos direitos do papel, mas na vida real das oportunidades, sobretudo para aqueles que mais precisam; e a inserção independente e altiva do Brasil no cenário global, garantindo a todos nós, povo brasileiro, autodeterminação.</p>
<p>Ao longo desse tempo, acumulamos um importante legado nos parlamentos e executivos, seja nos municípios, estados ou no plano federal. Mudamos para melhor a forma como o Brasil, tão marcado pelo elitismo, racismo, machismo e outras formas de opressão, legisla e governa. Inovamos as ferramentas de gestão e as formas de representação política sem nos afastarmos do princípio que nos é mais caro: dar vez e voz ao povo.</p>
<p>E, pela tarefa que cumpro há seis anos, não poderia deixar de registrar o papel do PT Bahia nesse processo. O partido de Paulo Jackson, Zezéu Ribeiro e Luiza Bairros vem, desde 2002, dando grandes contribuições para as vitórias do PT nacionalmente com Jaques Wagner, Rui Costa e Jerônimo Rodrigues mudando profundamente a realidade baiana. No primeiro ciclo, promovemos a abertura democrática de um estado até então dominado pelo mandonismo e investimos muito em acesso à água, energia elétrica, alfabetização, direitos básicos negados aos baianos e baianas por décadas.</p>
<p>Nos dois governos seguintes realizamos um recorde em infraestrutura nas áreas da Saúde e da Mobilidade, com destaque para as estradas, Metrô, novos hospitais e policlínicas. Agora, com Jerônimo, estamos mudando radicalmente a Educação na Bahia com as escolas de tempo integral, elevando a qualidade do ensino e já colhendo bons frutos como mostram o crescimento do IDEB e a nossa performance no ENEM e no SISU.</p>
<p>Olhando para toda nossa história nesses 45 anos, podemos ver, e isto nos orgulha muito, o quanto o PT lutou, sempre ao lado e pelo povo, por um Brasil mais justo, mais igual, um país melhor para todos os brasileiros, o que certamente o tornou o maior partido de esquerda da América Latina. E olhando para o hoje e para frente, continuaremos sonhando, trabalhando muito e nos renovando, sempre comprometidos com nossos princípios fundadores e empenhados em aprofundar nossa relação com os movimentos sociais, para garantir mais direitos e gerar mais oportunidades para o nosso povo. Que venham mais muitos e muitos anos de luta. Viva o PT! Vivas ao PT!</p>
<p>Éden Valadares é presidente do PT Bahia</p>
<p><em>Artigo originalmente publicado no jornal A Tarde deste sábado, 08.</em></p>
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		<title>&#8220;Intolerância religiosa afeta a construção de uma sociedade mais justa e igualitária” – por Evilailton José</title>
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		<dc:creator><![CDATA[guilherme]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 21 Jan 2025 16:00:47 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>A intolerância religiosa é um fenômeno preocupante que afeta diretamente a convivência entre diferentes grupos [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>A intolerância religiosa é um fenômeno preocupante que afeta diretamente a convivência entre diferentes grupos sociais, especialmente no contexto cultural e religioso da Bahia. A diversidade religiosa é um dos pilares da identidade baiana, com a presença de uma grande variedade de crenças, como o catolicismo, o candomblé, a umbanda, o protestantismo e outras religiões afro-brasileiras. No entanto, a intolerância religiosa tem se manifestado de maneiras diversas, gerando impactos negativos no cotidiano dos baianos e baianas.</p>
<p>Os efeitos da intolerância religiosa no cotidiano das pessoas podem ser observados em vários aspectos da vida social. Em primeiro lugar, há um aumento da violência verbal e física, com agressões a líderes religiosos e membros de diferentes tradições. O ataque a terreiros de candomblé, a destruição de imagens e objetos sagrados, além de discriminação em espaços públicos e privados, são situações recorrentes que afetam a liberdade religiosa. Muitas pessoas se sentem inseguras ao praticar suas crenças, seja em casa, no trabalho ou em lugares de convivência comunitária.</p>
<p>Além disso, a intolerância religiosa também afeta a construção de uma sociedade mais justa e igualitária. Em vez de promover o respeito mútuo e a convivência pacífica, cria um ambiente de segregação e de hostilidade entre as diferentes religiões. Isso pode gerar um ciclo de marginalização, onde determinadas crenças ou religiões são estigmatizadas e seus praticantes, perseguidos ou rejeitados. A violência simbólica também é uma forma de exclusão social, que reforça a desigualdade e a divisão.</p>
<p>A Bahia, conhecida por sua rica herança cultural e religiosa, tem sido palco de várias iniciativas para combater a intolerância religiosa. No entanto, a luta contra esse problema exige não apenas políticas públicas de proteção à liberdade religiosa, mas também uma mudança de atitude no dia a dia das pessoas, com o incentivo à educação para o respeito à diversidade. É essencial que baianos e baianas, como parte de uma sociedade plural, reconheçam a importância de conviver com a diferença, promovendo o diálogo e o entendimento entre as diversas manifestações religiosas.</p>
<p>Em resumo, a intolerância religiosa no cotidiano dos baianos e baianas traz consequências negativas tanto para as vítimas quanto para a sociedade como um todo, enfraquecendo o espírito de união e respeito que é fundamental para uma convivência harmoniosa e pacífica. É necessário agir para combater esse mal e garantir a liberdade de crença, que é um direito de todos.</p>
<p>Assim, sem titubear e sem esquecer as suas origens, recebemos hoje, em forma de presente, a fim de enfrentar essa desigualdade, das mãos de um governador afroindígena, um aparelho tão importante como a primeira delegacia de combate ao racismo e intolerância religiosa do estado da Bahia. Esta iniciativa não é apenas um marco histórico, mas também um compromisso com a justiça social e a luta por um futuro mais igualitário. A criação dessa delegacia representa um passo significativo na proteção dos direitos das minorias e no fortalecimento de políticas públicas que garantam a dignidade e o respeito para todos, independentemente de sua etnia ou religião. Que este seja apenas o início de um movimento ainda mais amplo, que inspire outras ações concretas de transformação e inclusão.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><strong>Evilailton José</strong><br />
Secretário de Combate ao Racismo do PT Bahia</p>
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